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Que é o distributivismo?

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Sempre houve aqueles que tentaram levantar uma terceira alternativa ao capitalismo e ao socialismo. Há muito tempo, antes de aparecer a fatídica “Terceira via” do consenso social-democrata dos noventa  com Tony Blair e Bill Clinton, ou que a “Terceira posição” que foi o fascismo de Mussolini, antes de todos eles, já havia aqueles que representava um terceiro caminho, no final do século XIX e início do século XX, sendo talvez a terceira alternativa mais saudável de todas as que têm sido levantadas até agora. E eu estou falando sobre o famoso Distributivismo

Parafraseando um amigo inglês que é definido como distribucionista, e eu não estou falando de Chesterton, o distributivismo representa uma sociedade alternativa em torno da propriedade privada e familiar acima do Estado e do indivíduo, por isso é considerada uma alternativa sem ser apenas um híbrido entre os dois sistemas, como foram as outras maneiras citadas anteriormente.
Os dois teóricos principais do distributivismo foram G. K.  Chesterton e Hilaire Belloc. No entanto, não podemos negar a imensa influência que recebeu de Sua Santidade Leão XIII, que lançou as bases da doutrina social da Igreja, com a sua famosa encíclica “Rerum Novarum”.

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Hilaire Belloc (Esquerda) e G.K. Chesterton (Direita)

O distributivismo do Chesterton e Belloc, é concebido como uma reposta moralmente ética aos grandes desafios que enfrentava a sociedade ocidental no final do século XIX e início do século XX em questões econômicas e políticas. Eles denunciaram a acumulação de poder e riqueza nas mãos de poucos, quer fosse dentro ou fora do estado; propunha-se um sistema alternativo, no qual os princípios fundamentais eram a propriedade privada, a família, a subsidiariedade e a solidariedade. Em suma, os valores fundamentais da doutrina social católica.
Para os distribucionistas, o papel do Estado é ser o primeiro servidor público, uma idéia não exatamente nova, que sempre esteve presente, explícita ou implicitamente, na boa filosofia e boa política. Para eles, um dos principais bastiões de toda sociedade, tornando-a uma sociedade como tal, é a existência de famílias e da propriedade privada (totalmente descentralizada). Eles acreditam em um renascimento da economia local e familiar por meio da distribuição da propriedade para as mãos das famílias e do maior número possível de proprietários, tirando-as da concentração nas mãos do governos e das elites.

A propriedade privada significa a liberdade, por isso, o distributivismo acredita que se todas as famílias detiverem sua própria terra ou suas próprias rendas, todos poderão levar sua vida sem depender de um emprego oferecido por terceiros, seja o governo ou os empresários.
Infelizmente, com a morte de Chesterton e Belloc, o distribucionismo ficou estagnado. Eles tentaram fazer um movimento político que foi mais o menos popular (A imagem destacada é um cartaz deste movimento). No entanto, seus ideais inspiraram o nascimento de muitos partidos democrata-cristãos do sul da Europa, bem como uma das principais obras de Belloc no distributivismo, O Estado Servil, que veio a inspirar em parte a Friedrich Von Hayek, para escrever uma das suas obras mais importantes: O Caminho da Servidão.

A Editora Danúbio publicará em 2017 uma nova tradução brasileira do livro O Estado Servil de Hilaire Belloc.

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