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Quem foi G.K. Chesterton?

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G.K. Chesterton com 24 anos

No último dia 14 de junho, tristemente, celebrou-se o aniversário da morte de nosso querido autor Gilbert Keith Chesterton, mais conhecido como G.K. Chesterton, o paradigma do intelectual católico e conservador. Ele foi um dos melhores jornalistas e romancistas de sua época, os finais da era vitoriana. Pode se dizer que ele foi o equivalente na língua inglesa a José Ortega y Gasset por seus posicionamentos realistas, controversos e tradicionais.

G.K. Chesterton nasceu em 29 de maio de 1874 em Londres; seu lar era uma família de classe média muito culta. Seus pais eram Edward Chesterton e Marie Louise Grosjean. G.K. Chesterton herdou de seu pai Edward, o gosto pela literatura. Edward tinha uma agência imobiliária e topográfica com sede em Kensington. Após seu casamento com Marie Louise Grosjean, o casal mudou-se para Sheffield Terrace, Kensington, lar onde nasceram Beatrice e Gilbert.

 

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Cecil Chesterton, irmão de G.K. Chesterton

Edward se aposentou do seu trabalho e se dedicou a viver de renda por motivos de saúde. De seus três filhos, unicamente Gilbert e Cecil atingem a idade adulta. Ambos seriam escritores. Beatrice, a irmã de Chesterton, morreu em uma idade precoce.
Desde cedo, G.K. Chesterton foi muito inteligente, ele começou sua formação na escola preparatória “Colet Court” em 1881. Logo mudou-se para a escola privada “St. Paul” em Hommersmith Road, onde recebeu por um poema sobre São Francisco Xavier um prêmio literário, além de escrever no jornal escolar.

Embora Chesterton se inclinasse mais para a literatura, comete o erro de matricular-se na escola de arte “Slade School”, em Londres, para estudar desenho e pintura, carreira que abandona após 3 anos para se dedicar ao jornalismo e à literatura. Ao mesmo tempo, em 1896, ele conhece a mulher que viria a ser sua esposa, Frances Blogg, com quem, após 5 anos de namoro, casou-se.
Em 1900, conhece em um restaurante do bairro Soho de Londres, o rapaz que seria seu melhor amigo e maior colaborador, Hilaire Belloc. A reunião se deu certa graças a Lucian Oldershaw, amigo em comum entre Belloc e Chesterton. Belloc de algum modo tinha uma grande influência sobre Chesterton. Após o encontro, Chesterton foi pouco a pouco encaminhando-se para o catolicismo, além de decidir-se a escrever. Em 1900, Belloc já era um célebre escritor reconhecido na Inglaterra, enquanto Chesterton ainda não havia escrito nenhum livro.

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George Bernard Shaw, Hilaire Belloc e G.K. Chesterton

Chesterton e Belloc decidem, em 1911, criar o movimento distributivista, com a intenção de levantar uma terceira via entre o capitalismo e o socialismo. O distributivismo é uma espécie de distribuição geral da propriedade privada evitando uma hegemonia estatal ou privada, com uma visão humanista e cristã, ao contrário da abordagem materialista do liberalismo e do socialismo.

Ao longo dos anos, Chesterton tornou-se um escritor de destaque. Em 1922, Chesterton dá um grande passo em sua vida, convertendo-se ao catolicismo, através da influência e conselhos de seus amigos Belloc e Maurice Baring. Apesar de Chesterton haver nascido em uma família nominalmente anglicana, começou a se aproximar do cristianismo por meio de sua esposa Frances, uma anglicana praticante. No entanto, foram de fato seus amigos que o levaram para a religião.

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A casa em Beaconsfield onde morreu G.K. Chesterton

G.K. Chesterton, morreu em 14 de junho de 1936, em Beaconsfield, localidade onde morava desde 1909, deixando um legado intelectual inesquecível.

Vida Literária do Chesterton:

Chesterton começou sua produção literária em 1900, acumulando cerca de 100 livros em torno de toda a sua carreira.

Aqui, uma lista de suas principais obras:

  • Greybeards at Play (1900) (Poesia)
  • The Wild Knight and Other Poems (1900) (Poesia)
  • The Napoleon of Notting Hill (O Napoleão de Notting Hill) (1904), (Romance)
  • The Club of Queer Trades (1905), (Contos)
  • Hereges (1905), (Ensaios)
  • The Man Who Was Thursday (O homem que era quinta-feira) (1908), (Romance)
  • Ortodoxia (1908), (Ensaios)
  • The Ball and the Cross (1909), (Romance)
  • The Innocence Of Father Brown (1911), (Contos)
  • The Ballad Of The White Horse (1911), (Poesia)
  • Manalive (1912), (Romance)
  • The Wisdom Of Father Brown (1914), (Contos)
  • The Flying Inn (1914), (Romance)
  • Poems (1915), (Poesia)
  • Wine, Water And Song (1915), (Poesia)
  • The New Jerusalem (1920), (Ensaios)
  • The Ballad of St. Barbara and Other Poems (1922), (Poesia)
  • The Man Who Knew Too Much (O homem que sabia demais) (1922), (Contos)
  • Poems (1923), (Poesia)
  • Tales Of The Long Bow (1925), (Contos)
  • O homem eterno (1925), (Ensaios)
  • The Queen of Seven Swords (1926), (Poesia)
  • The Incredulity Of Father Brown (1926), (Contos)
  • The Outline of Sanity (1927), (Ensaios)
  • The Secret Of Father Brown (1927), (Contos)
  • The Return of Don Quixote (1927), (Romance)
  • Gloria in Profundis (1927), (Poesia)
  • The Sword of Wood (1928), (Contos)
  • The Poet and the Lunatics (1929), (Contos)
  • Ubi Ecclesia (1929), (Poesia)
  • Christmas Poems (1929), (Poesia)
  • New and Collected Poems (1929), (Poesia)
  • Four Faultless Felons (1930), (Contos)
  • New Poems (1932), (Poesia)
  • The Scandal Of Father Brown (1935), (Contos)

Pensamento e idéias de G.K. Chesterton:

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G.K. Chesterton escreveu e publicou cerca de 100 livros

Chesterton foi um dos homens mais instruídos e sábios de seu tempo, foi capaz de combinar o senso comum vitoriano com a moral católica, duas coisas que, embora parecessem irreconciliáveis, juntas, formaram grande tesouro dos valores e princípios ocidentais.

Como Chesterton era intelectualmente uma mistura, um intelectual vitoriano/católico, era conhecido como o príncipe dos paradoxos, uma vez que era paradoxal que num país protestante e modernista, houvesse um intelectual católico que defendesse tão bravamente as tradições e a fé cristã. Para G.K. Chesterton, a nossa herança ocidental  era o último refúgio contra uma modernidade desumana e totalitária que ameaçava destruir o homem.

Chesterton foi um filósofo realista e católico, que argumentou em seus escritos uma visão de vida honesta, justa e prática; onde a razão era uma ferramenta para compreender a realidade, e não um absoluto em si mesmo.  Seu estilo sofisticado, irônico e majestoso, sem ser bombástico ou escandalosa, rapidamente o distinguiu nos círculos literários de seu tempo.

Talvez a maior contribuição do G.K. Chesterton para a literatura tenha sido a criação do personagem do Padre Brown, um padre católico que resolve mistérios com métodos muito diferentes dos outros detetives ingleses do seu tempo; Sherlock Holmes, de Sir Arthur Conan Doyle e Hercule Poirot de Agatha Christie. O Padre Brown aparece em cinquenta contos compilados em cinco livros. G.K. Chesterton baseou a criação do Padre Brown num amigo sacerdote chamado padre John O’Connor.

Para Chesterton, o mundo, a vida humana, a sociedade, e seus problemas, são plenos de incógnitas e mistérios; por este motivo, ele gostava tanto de romances de detetives, e nao por acaso, seu método filosófico por vezes parece similar ao método de uma investigação policial.

G.K. Chesterton, junto aos seus amigos Hilaire Belloc, J.R.R. Tolkien, Maurice Baring, entre muitos outros,  são os autores analisados por Joseph Pearce no livro Convertidos Literários, traduzido e publicado pela Editora Danúbio em 2016.

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