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Moll Flanders de Daniel Defoe

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O estereótipo ou arquétipo de Femme Fatale sempre esteve presente no imaginário ocidental, desde que a Bíblia mencionou a prostituta da Babilônia. Não obstante, se houve uma mulher que pode ser considerada uma das primeiras Femme Fatales com protagonismo na literatura, esta mulher é Moll Flanders, protagonista do romance de Daniel Defoe.

Moll Flanders é um dos primeiros exemplos de literatura picaresca na literatura inglesa. Moll, como é chamada no romance, já que nunca menciona seu verdadeiro nome, não precisamente é uma maluca, é um ser humano que é muito humano, Daniel Defoe com Moll Flanders abriu as portas para o gênero dos anti-heróis.

Moll Flanders não é uma senhora de conduta irrepreensível, ela nasceu pobre e miserável mas com muitas ambições na sua vida, sua maior aspiração era ser uma dama de sociedade, mas ela nunca contou com a sorte. Ela queria ser uma dama de sociedade mas, como dizia o titulo original “Nasceu numa Prisão, foi por doze anos prostituta, por outros doze anos ladra, casou-se cinco vezes e uma das quais foi com seu próprios irmão, foi deportada por oito anos para a Virginia e mãe de mais de meia dúzia de filhos abandonados”. No entanto, ao final de sua vida foi rica e morreu como penitente.

Ela foi um mau exemplo, porém, Moll Flanders era uma mulher audaz e inteligente. Sua história, incomum para uma era tão puritana, tem sido objeto de muitos tipos de reflexões intelectuais sobre a moralidade humana, se o seu comportamento era honesto ou não, motivado por sua origem, ou se foi uma decisão consciente.

Outro aspeito muito comentado deste romance tem sido sua qualidade literária. Hoje muita gente desqualifica-o pelo uso da linguagem que faz Defoe, contudo, lembremos que é um romance do século XVIII, e é um inglês do seu tempo. Talvez Moll Flanders não tenha técnicas narrativas modernas e possa parecer muito elementar, mas escrita má, não é.

Daniel Defoe (1660-1731), o autor de Moll Flanders é o autor também de “Robinson Crusoe”, o famoso romance do náufrago que vive durante 20 anos numa ilha deserta. Defoe foi um político de ideologia whig (liberal) e de religião presbiteriana muito anti-católico, é considerado o pai dos romancistas ingleses e o pai da sátira política.

“Moll Flanders” é um dos doze clássicos da literatura comentados por Tiago Amorim em seu livro Abertura da Alma, publicado pela Editora Danúbio.

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