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Quem foi Miguel de Unamuno?

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A Espanha é um belo país que deu ao mundo duas coisas maravilhosas e recíprocas: seu idioma e seus escritores. A Espanha, desde o século dourado, época de Dom Quixote e Miguel de Cervantes, continuou produzindo literatura de qualidade e alta cultura.  O início do século XX, porém, foi o cume de muitos grandes escritores, como José Ortega y Gasset, cujo trabalho intelectual transcendeu a Espanha. Outros desses escritores é nosso autor de hoje, Miguel de Unamuno.

Nativo do País Basco, nasceu Miguel de Unamuno na cidade de Bilbao, no dia 29 de setembro de 1864, filho de uma família numerosa. Inteligente desde muito jovem, entrou no ano de 1880 na Universidade de Madri para estudar filosofia e letras, suas duas maiores paixões. Recebe o grau de bacharel em 1883 e no ano seguinte doutorou-se com uma tese muito polêmica: Crítica del problema sobre el origen y prehistoria de la raza vasca, um trabalho que iria marcar seu perfil como autor españolista, por ser uma obra em que desmentia muitos pilares ideológicos do nacionalismo basco. Miguel de Unamuno retrato escritor

Miguel de Unamuno consegue uma cadeira como Professor de grego na Universidade de Salamanca em 1891, após muitos anos procurando uma cátedra de professor universitário. Anos mais tarde, viria a ser reitor da mesma universidade.

Ele foi membro de um movimento intelectual conhecido como Generación del 98 juntamente com outros grandes autores espanhóis como Pio Baroja, Ramiro de Maeztu e Azorin.

O pensamento do Miguel de Unamuno tem dois grandes vértices, aos quais o autor dedicou grande parte de sua vida: El ser de España e la fé cristiana. Miguel de Unamuno é um autor importante se se quer chegar a entender esse grande mistério chamado Espanha, que também é um país.

Unamuno e Ortega tinham o mesmo diagnóstico sobre a Espanha, mas propostas de soluções diferentes. Não obstante, um pensador é o melhor complemento do outro.

Para Unamuno, o cristianismo é um apêndice da hispanidade, uma peça vital para Espanha; ele considera São Jõao da Cruz um símbolo, para o qual escreve inclusive um poema, um símbolo que retrata seus dois maiores pontos de interesse: a Espanha e o cristianismo. Já Ortega pensava que Espanha precisava não de uma renascença religiosa e espiritual, senão política e filosófica.

Miguel de Unamuno viveu no exílio entre 1924 a 1930, quando na Espanha o governo Primo de Rivera agia de forma autoritária. Durante o seu exílio escreveu o livro  A Agonia do cristianismo, uma obra profunda e pessimista, como uma outra obra sua: Do Sentimento Trágico da Vida (1913). Pessimista porque Unamuno sempre caracterizou-se por sua sensibilidade e sua honestidade perante a vida, tal qual José Ortega y Gasset. Voltou à Espanha, foi deputado entre 1931 a 1933, aposentou-se como professor no ano de 1934, sendo nomeado reitor vitalício da Universidade de Salamanca, nomeação indeferida em 1936 por ordem do General Francisco Franco. Ele faleceu em 31 de dezembro daquele mesmo ano.

Unamuno não só elucidou como o mundo estava sendo descristianizado, mas como seu país estava sendo destruído por causa dos mesmos espanhóis, como ele disse em 1913, no Sentimento Trágico da Vida: “Entre os hunos e Hotros estão massacrando Espanha”.

A Editora Danúbio publicará em 2017 uma nova tradução brasileira do livro A Agonia do Cristianismo.

 

 

 

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